Nós desaprendemos a projetar o PIB

O PIB do Brasil parece não se importa com a previsão dos ditos especialistas do ‘mercado’ desde 2020. Com o advento da pandemia do COVID-19, as séries econômicas relacionadas ao produto sofreram um efeito depressivo notável. As projeções, idem. Isto é, desde a pandemia que não somos capazes de prever o produto de maneira assertiva. Contudo, qual a solução para esta questão? Seria 2025 mais um ano em que semanalmente aumentamos as expectativas sobre o PIB?

A tamanho do erro deixou de ser algo desprezível para um problema notável. Como pode ser observado no gráfico abaixo, o tamanho do erro em pontos percentuais (realizado – projetado em 31/01) apresenta uma tendência de alta impulsionado no pós-pandemia. Para se ter uma noção, o ‘mercado’ chegou a projetar – através do boletim Focus – uma variação anual (%) do PIB em 2022 de 0,3%. Contudo, o produto avançou 3,02%. Em 2023 e 2024 as gritantes diferenças aumentaram. O primeiro foi projetado em 0,79% e avançou 3,24%. Já o segundo, foi projetado em 1,60% e avançou 3,40%.

Dado o tamanho do problema, qual a solução? A boa notícia é que ela existe. A má notícia é que não é nada simples. Para contornar o problema gerado nas séries econômicas, a academia e os principais Banco Centrais têm trabalhado com a modelagem de volatilidade estocástica. Trabalhos como o de Lenza e Primiceri (2020) mostram quais ajustes devem ser feitos para modelar um VAR pós 2020. Outros trabalhos aderem ao uso de modelagem bayesiana para endereçar o problema. Fato é que as metodologias de previsão precisam ser atualizadas.

Conforme foi demonstrado neste texto, é evidente a necessidade de uma atualização de cunho metodológico na projeção do produto. O famoso “Focus e um pouquinho pra cima ou pra baixo” se mostra pouco efetivo uma vez que a base da análise já começa bastante discrepante. Apenas para registro, o módulo da diferença média entre 2016 e 2019 foi de 0,41. A mesma medida para o período entre 2021 e 2024 foi de 2,06.

Concluindo, as evidências mostram que o as projeções de mercado via boletim Focus têm envelhecido mau. As projeções se tornam muito discrepantes dos valores reais observados no último trimestre e prejudicam qualquer trabalho de planejamento financeiro e estratégico que dependa disto. Desta maneira, continuo com uma visão mais otimista que o boletim Focus para o ano de 2025 e acredito em uma taxa de crescimento próxima aos 2,7%.

Fonte: BCB, IBGE, Elaboração Própria

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