Esta questão não é nova entre os economistas; contudo, a sua resposta depende de n fatores que em conjunto podem produzir resultados não tão favoráveis.
A fim de responder a esta pergunta, elaborei as curvas de crescimento pró-pobre no Brasil em dois intervalos de tempo diferentes: a primeira (curva azul) para o período de 2015 a 2019 e a segunda para 2019 a 2023. Para além disto, os valores monetários foram atualizados para 2023 e os dados utilizados são derivados da PNADc.
Analisando as curvas, observamos uma mudança de tendência significativa, que altera a interpretação dos resultados. Para o período compreendido entre 2015 e 2019, vemos que o crescimento econômico não foi capaz de beneficiar os mais pobres, colocando a taxa de crescimento de renda (em log) no campo negativo para os primeiros percentis. Já para o período compreendido entre 2019 e 2023, existe uma reversão desta tendência.
A explicação para este resultado pode estar intimamente relacionada aos auxílios concedidos pelo Governo Federal durante a pandemia do COVID-19, que favoreceram a renda das camadas mais pobres da população. Contudo, seria este crescimento sustentável?
Para responder a esta pergunta, seria necessário isolar o efeito do auxílio-Brasil, e não há dados disponíveis para tal análise.
Por fim, a interpretação mais plausível é que a camada mais pobre não teve aumento sustentável de renda durante o período analisado e que os grandes vencedores deste período tenham sido os percentis medianos da distribuição.

